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Procuradores dos EUA alegam que Adriano Maleiane concordou ocultar dívidas ao FMI

Procuradores dos EUA alegam que Adriano Maleiane concordou ocultar dívidas ao FMI

Procuradores dos EUA alegam que Adriano Maleiane concordou ocultar dívidas ao FMI

A justiça norte-americana alega que o actual ministro das Finanças, Adriano Maleiane, “concordou” não revelar dois empréstimos ao Fundo Monetário Internacional (FMI), no âmbito do caso das dívidas ocultas do país.

“Depois de o arguido Manuel Chang ministro das Finanças que assinou os avais – ter deixado o cargo, os conspiradores falaram ao novo ministro das Finanças sobre as garantias da MAM e Proindicus e que as transacções não foram divulgadas ao FMI”, pode ler-se no memorando, assinado a 22 de Julho pelos procuradores norte-americanos, que não especificam o nome de Adriano Maleiane.

Logo de seguida, o documento argumenta que “o novo ministro concordou em continuar a não divulgar a MAM e Proindicus ao FMI”.

Os procuradores norte-americanos alteraram a palavra “conspiradores” para “co-conspiradores” depois de introduzirem o “novo ministro das Finanças” nos argumentos.

A informação acrescenta que os “co-conspiradores também concordaram em omitir que a Ematum e Proindicus eram incapazes de cumprir os pagamentos de juros e em esconder informação aos auditores da Ematum”.

O memorando foi escrito especificamente para se opor à defesa do principal suspeito e arguido na acusação do Governo dos Estados Unidos, o empresário libanês Jean Boustani, acusado como principal actor do esquema de corrupção que lesou o Estado moçambicano.

Os procuradores indicam que “no julgamento [marcado para 07 de Outubro], o Governo vai demonstrar que Boustani e os seus co-conspiradores sabiam que Moçambique não revelou as fianças da Proindicus e MAM (…) ao FMI”, que valiam mais de 1,2 mil milhões de dólares.

A acusação norte-americana identifica que foram usadas três empresas detidas pelo Estado para acumular empréstimos de investidores internacionais, que serviram para enriquecimento ilícito dos arguidos e cujas dívidas se acumularam nas dívidas do Estado.

A Proindicus deveria realizar vigilância costeira, a Ematum participava na pesca do atum e a MAM visava a construção e manutenção de estaleiros, segundo os procuradores.

Adriano Maleiane é ministro da Economia e das Finanças desde Janeiro de 2015, sucedendo no cargo a Manuel Chang, agora arguido no caso das dívidas ocultas e detido na África do Sul desde o final do ano passado.

Maleiane foi governador do Banco Central dentre 1991 e 2006 e presidente do Banco Nacional de Investimento entre 2011 e 2014.

Manuel Chang está detido na África do Sul desde Dezembro, a pedido das autoridades norte-americanas, por alegado envolvimento em empréstimos fraudulentos de dois mil milhões de dólares a empresas estatais moçambicanas, no caso das dívidas ocultas.

LUSA

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