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Mariano Nhongo assume ataques no centro do país

O chefe da auto-proclamada “Junta Militar da Renamo”, Mariano Nhongo, assume que os ataques armados protagonizados nos últimos dias nas províncias de Manica e Sofala, no Centro do país, são da sua responsabilidade e acontecem sob seu comando. Nhongo falou ontem ao “Notícias”, num contacto telefónico estabelecido a partir da nossa Delegação na cidade da Beira.

Mariano Nhongo assume ataques no centro do país

Sobre a motivação para os ataques, Nhongo disse que tudo se deve ao resultado das eleições gerais de 15 de Outubro, em que, segundo ele, a Polícia da República de Moçambique (PRM), em particular a Unidade de Intervenção Rápida (UIR), foi chamada pelos órgãos eleitorais para intervir nas mesas de voto, a fim de resolverem alguns ilícitos, “onde houve disparos e o povo morreu”.

O facto, segundo a sua versão, culminou igualmente com a detenção de vários cidadãos, alguns dos quais continuam encarcerados, o que alegadamente facilitou o enchimento das urnas, sobretudo nas províncias do Niassa, Nampula, Zambézia, Sofala, Manica e Tete.

“A Frelimo não vai governar nestas seis províncias, mesmo com forte contingente das Forças da Defesa e Segurança e escolta de viaturas que acontece nas estradas”, disse, acrescentando que o seu grupo vai atacar qualquer viatura da PRM, em retaliação à suposta intervenção directa da corporação nas eleições de 15 de Outubro.

“Com as Forças Armadas da Defesa de Moçambique (FADM) não temos problemas, porque em nada participaram deste pleito eleitoral”, destacou.

Entretanto, Nhongo escusou-se a explicar a razão por que nestas incursões estão igualmente a ser visados alvos civis: “Prefiro não falar sobre isso”.

Sobre o processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR), no quadro da implementação do Acordo de Paz e Reconciliação Nacional, rubricado em Maputo, no dia 6 de Agosto, pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Ossufo Momade, Mariano Nhongo disse esperar por um “processo justo”, sem, no entanto, explicar os contornos dessa “justiça”.

Relativamente às suas relações com Ossufo Momade, o chefe da Junta Militar da Renamo disse que com ele “não quero conversa, não lhe quero ver nem saber dele, porque estragou totalmente o nosso partido”.

No entanto, mostrou disponibilidade de conversar com o Presidente da República, Filipe Nyusi, “se ele quiser, para pormos fim a esta tensão militar”.

“A partir de amanhã (hoje), sexta-feira, estarei completamente disponível para conversar com o Presidente Nyusi, porque estarei numa área onde o sinal da rede pode permitir uma boa ligação telefónica…”, disse o chefe da Junta Militar da Renamo.

Fonte: jornalnoticias

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